Papel dos Desejos

Ela abriu a porta de seu apartamento. Tinha ido direto do trabalho para o templo. Do templo, veio direto para sua residência. Palavras bonitas do pastor hoje. Bateram no meu coração. Olhou para o chão à procura das correspondências do dia que são enfiadas pelo zelador por baixo da porta. Gostava da surpresa do que poderia ter recebido. Mas a surpresa foi maior: havia um cesto. Ela acendeu a luz. Era um cesto trançado, de palha, pequeno. Assustou-se ao ver algo dentro se mexer. Como isso veio parar aqui em casa? Observou mais de perto; o que quer que fosse, parecia estar dormindo. Um gatinho ou cãozinho? Mas como veio parar aqui? Foi para o quarto, tirou o interfone do gancho. O porteiro atendeu.

- Pois não.

- Seu João, alguém subiu no meu apartamento hoje?

- Não vi ninguém subindo praí não, Dona Marta. A senhora está esperando alguém?

- Não, não. Obrigada, Seu João. Boa noite.

- Boa noite.

Voltou ao cesto e observou com mais atenção o bichinho. Está coberto por um cobertorzinho. Do jeito que se mexe, está respirando suavemente, dormindo. Melhor não mexer, por hora. A pele era rosada. Não resistiu e encostou a mão de leve, sentindo que ele estava numa temperatura que parecia ser normal.

Ninguém mais tem a chave do apartamento. A não ser a empregada... Mas ela só vem nas segundas-feiras e hoje é sexta. Telefonou para a casa dela. A filha atendeu.

- Mamãe viajou ontem para visitar a vovó. Volta só no domingo à noite. É urgente?

- Não, não. Falo com ela na segunda. Obrigada.

Desligou. Escutou um som diferente no apartamento. Deve ser o bichinho. Parece um piado. Ela se aproximou, os pios aumentaram em volume e quantidade. Um pequeno animal, tamanho de um gato infante, estava olhando direto para Marta. Olhos grandes e bem abertos, pequenas orelhas.

- Oh, que bonitinho!

Marta pegou-o com cuidado. Pensara, pelos piados, que fosse um filhote de pássaro, mas estava mais para um mamífero exótico. O pequeno corpo, macio e quente, parecia ligeiramente com o de um gatinho, exceto a ausência de cauda, as orelhas pequenas e as patas sem almofadinhas. Marta tinha jeito com animais. Trabalhava como auxiliar numa clínica veterinária. Queria fazer Veterinária, mas o dinheiro nunca dera para pagar um curso.

Estava gordinho, não parecia estar com fome. Marta pôs leite num potinho; noutro pôs pequeninos pedaços de carne, um pouco de arroz. Mas nesse primeiro dia o bichinho nada comeu.

No dia seguinte, logo pela manhã, Marta conferiu que o bichinho ainda estava dormindo e foi ao supermercado, a um quarteirão dali. O que será que esse bichinho come? Além das compras normais, comprou também rações para animais, pacotes pequenos. Chegou no apartamento; o bichinho não estava no cesto. Procurou no quarto todo, debaixo dos móveis, no banheiro. Olhou nos cantos da sala, andando sempre com cuidado para não pisar nele sem querer. Encontrou-o na cozinha. Estava em cima da pia, tomando água num prato sujo.

- Não, meu bichinho, não é para beber água aí. Como você conseguiu subir?

Marta pegou o animal e o pôs em cima da mesa. Procurou na dispensa e achou um potinho. Encheu-o de água e pôs para o bichinho. Ele abaixou a cabecinha e começou a sorver a água. Fazia um barulho engraçado; bebeu bastante. Sempre beberia água nesse mesmo potinho enquanto estivesse com a Marta.

Ela deixou o bichinho na cadeira. Ficou sentado, daquele jeito que gatos sentam. Enquanto isso, Marta preparava alguns pratinhos com comidas diversas para ver o que ele comeria. Pôs ração para gato. Ele cheirou, mas não tocou. Tentou alpiste, painço. Nada. Ração para cachorro. O bichinho nem cheirou o pratinho dessa vez. Só faltava tentar um pratinho com verduras e legumes. E não é que o bichinho começou a comer as folhas verdes, vagarosamente, mas comeu todas. Depois partiu para os legumes. Não comeu os que estavam cozidos, somente os que estavam crus. A partir daí seria fácil e barato alimentá-lo, para alívio da Marta, que costumava chegar ao fim do mês com muito pouco do salário sobrando.

Marta sempre pensara em ter um animal de estimação, mas se preocupava em deixá-lo a maior parte do tempo sozinho. Agora, com esse bichinho, o desejo se realizava por imposição. Era uma mulher religiosa, como sua mãe. Achava que era Deus quem lhe dera o bichinho como uma provação, ou talvez até como recompensa.

A empregada achou estranha a pequena criatura. Comentou isso com a Marta. Também era religiosa. Pediu a conta depois de um mês; disse que não conseguia trabalhar direito com aquele bichinho trepado nas coisas sempre a observando. Marta se irritou.

- Coisa do demo, humpf... Como ela pôde dizer algo tão feio para essa coisinha tão linda? Ao dizer isso, Marta acariciou a cabeça do bichinho, que, satisfeito, fechou os olhos.

É difícil achar uma empregada em que se possa confiar se esta não se guiar pela mesma fé. O temor no divino inibe atos malévolos. Porém, a empregada seguinte, depois de algumas semanas, sumiu com o animalzinho, levou-o para vender a um colecionador na casa de quem já trabalhara. Sabia que ele compraria por um alto preço para o zoológico particular dele. Marta telefonou para a empregada, mas ninguém atendia. Marta já estava se afeiçoando ao animal, mas menos trabalho para ela. Se bem que dava pouco trabalho. Deus quis assim. Nem à polícia vou, não vão dar atenção para o sumiço de um bicho de estimação se tem tanta gente que some todo dia.

Ele reapareceu no dia seguinte. Estava no cesto, dormindo, como se nada tivesse acontecido. A empregada havia sumido. Sumido mesmo. Nem os familiares dela tiveram mais notícias. A polícia telefonou para Marta com perguntas sobre a última vez que a tinha visto. Não falou nada sobre o seqüestro do bichinho e seu reaparecimento. Depois de alguns dias, dois policiais apareceram na casa de Marta. Fizeram uma revista na casa, de surpresa, com mandado e tudo. Ainda bem que tinha escondido o bichinho no armário assim que o porteiro avisou pelo interfone que eles estavam subindo. Não queria correr o risco de ter que responder a perguntas sobre o bichinho. Não poderia mentir. Só que um dos policiais abriu o armário e, Marta não soube como, ele não viu nada de estranho. Quando eles saíram e ela abriu o armário, lá estava o bichinho piando e olhando-a carinhosamente com seus olhos enormes.

Achou melhor não contratar mais nenhuma empregada. Ficaria mais cansada fazendo todo o trabalho de casa, mas pelo menos não correria o risco de sumirem de novo com o bichinho e economizaria mais um pouquinho. Quem sabe até dê para fazer o curso de Veterinária no futuro.

Uma das curiosidades sobre o bichinho era que, quando ela orava diariamente no quarto, ajoelhada no chão e com as mãos sobre a cama, ele começava a piar.

- Quer orar também meu bichinho? Você não pode.

Assim, ela o colocava mais afastado para não atrapalhar a oração.

A aparência dele foi se alterando conforme crescia. De rosa a cor da pele foi se acinzentando. Desenvolveu garras. O piado foi mudando para uma espécie de rugido brando. Cresceu-lhe uma cauda. O cesto original teve que ser trocado por um maior.

As mudanças mais estranhas se deram com seus seis meses de permanência com Marta. Nasceram-lhes asas e ele já treinava alguns vôos curtos pelo apartamento. Começou a se alimentar de carne, primeiro a cozida, depois somente carne crua. Comia pequenas e poucas porções.

- Meu bichinho, desse jeito você vai ficar fraquinho.

Ela não sabia que, aproveitando-se do sono pesado dela, ele saía à noite. Pela janela da cozinha, quase sempre aberta, ele passava pelas grades e aventurava-se em caçadas noturnas. Primeiro caçou baratas e outros insetos de hábitos noturnos; achava-os deliciosos. Isso ele já fazia com os que apareciam no apartamento. Comia-os devagar, iniciando sempre pela cabeça. Depois começou a caçar pequenos ratos, indo depois para os maiores. Devoravá-os completamente. Até a ninhada de uma cadela vira-lata que pariu numa viela virou alvo. Durante uma semana, dia sim, dia não, pegava um da ninhada quando a cadela saía para procurar comida. Dos cinco, deixou vivo apenas um.

No nono mês, sentia-se nele um cheiro leve de enxofre, que permanecia por melhor que fosse o banho semanal que Marta lhe dava. O bichinho adorava esses banhos e Marta se divertia com essa alegria. Ela saía tão molhada quanto ele, de tanto que ele brincava na bacia.

Andar e voar pelo apartamento escuro era fácil com sua visão noturna. Enxergava até melhor. Em algumas noites, o bichinho se aproximava de Marta enquanto ela dormia. Empoleirava-se na cabeceira da cama e ficava observando os cabelos longos e escuros dela convenientemente presos, sua pele alvíssima, os lábios finos entreabertos, os seios firmes, suas mãos entre as pernas. O bichinho abria as asas espreguiçando-se, bocejando e exibindo os afiados dentes enfileirados na forte mandíbula.

Exatamente após o décimo mês, Marta não o encontrou quando retornou do trabalho. Chamou por ele. Vagou pelos andares do prédio à sua procura. Perguntou ao porteiro se alguém havia encontrado algum animal exótico pelos corredores. Depois de mais de três horas de procura, desistiu. No cesto do animal, olhando com mais atenção, encontrou uma folha de papel avermelhada. Havia um texto escrito a mão, numa caligrafia difícil de entender, mas bonita:

Sou-lhe agradecido pelos cuidados prestados ao bichinho. Tive muito trabalho na procura de um bom coração, mas vejo que valeu a pena. Em retribuição, concedo-lhe o atendimento a quatro pedidos maldosos. Escreva-os abaixo.

De um mestre.

Pedidos:

1 - __________________________________________________________

2 - __________________________________________________________

3 - __________________________________________________________

4 - __________________________________________________________

De um mestre? Meu único mestre é o Senhor! Quatro pedidos maldosos? Não se ganha nada desejando o mal. Isso deve ser brincadeira sem graça de quem levou meu bichinho embora. Apareceu de forma estranha, sumiu de forma estranha. Espero que o bichinho fique bem com seu novo dono... Deve ser o verdadeiro dono...

Depois do jantar, mais tarde que o usual, lavando a louça, teve uma idéia enquanto pensava nos tais pedidos a serem feitos. E se fizesse pedidos bons? O que aconteceria?

Sou uma idiota em acreditar nessa história... Mesmo assim, enquanto guardava a louça, ficou a pensar em um pedido bom. Tanta guerra pelo mundo, vou pedir a paz mundial. Isso mesmo!

Foi para o quarto, pegou uma caneta na gaveta do criado-mudo e a folha de papel avermelhada que deixara sobre a cama. Voltou para a cozinha, tirou a toalha da mesa para ter espaço para escrever. Preciso lembrar de lavar essa toalha amanhã.

Vamos lá. Quero a paz mundial. Começou a escrever na linha reservada para o primeiro pedido, mas a caneta não escrevia. Deve estar com a tinta um pouco seca. Com a caneta entre as mãos, ficou girando-a rapidamente conforme esfregava as mãos uma contra a outra. Ainda não escrevia. Experimentou rabiscar num canto do papel. Está escrevendo!

Voltava para a linha do primeiro pedido e a caneta não escrevia. Repetiu o rabiscar noutro canto do papel; a caneta escrevia. Voltava para escrever o pedido e nada da caneta funcionar. Repetiu quatro ou cinco vezes o procedimento, tentou escrever na segunda, na terceira, na quarta linha. Nada da caneta escrever. Pressionou com força no papel. Quero a paz mundial. Nada. Nem o sulco da escrita ficou no papel.

Que besteira minha! Tentou furar o papel com a caneta, mas não conseguia atravessá-lo. Tentou rasgá-lo, sem sucesso. Este papel não serve pra nada! Jogou papel e caneta no lixo.

No dia seguinte, ao voltar da igreja, encontrou o papel e a caneta na sua cama e nem se espantou. Estava se acostumando com essas esquisitices. Deitou-se e ficou brincando com o papel. Amassava-o e ele voltava à forma original. Fez isso dezenas de vezes, até se cansar. Tentava rasgar-lhe pelo menos uma das pontas, mas por mais força que aplicasse, ele sequer se esticava; pegou uma tesourinha em sua bolsa e tentou em vão cortar-lhe. Levou à cozinha e colocou-o sobre a chama. Quase queimou a mão, como se estivesse a segurar uma chapa de metal aquecida, mas o papel continuava intacto.

Desisto! Guardou o papel na gaveta do criado-mudo, no fundo, debaixo de toda a bagunça.

Correram-se os dias e Marta parou de pensar nesse papel, lembrando, todavia, com freqüência, de seu bichinho.

Com o passar do meses, a normalidade do cotidiano fez com que Marta não mais pensasse no bichinho. Contudo, mantinha guardado os potinhos onde ele bebia água e onde comia.

* * *

Marta estava trêmula de raiva, acertou a chave na fechadura somente após algumas tentativas. Essa síndica do prédio é de morte!

Bateu a porta, correu para o quarto em lágrimas. Atirou-se na cama. Vou ler a Bíblia para me acalmar. Puxou com força a gaveta do criado-mudo. A gaveta caiu, espalhando todo o conteúdo pelo chão. Droga! Marta juntou os objetos e papéis e colocou-os de volta na gaveta. Agachou-se para ver se algo havia ficado debaixo da cama. Era o papel avermelhado. Pegou a Bíblia, pôs o papel avermelhado em cima, pegou uma caneta e escreveu nervosamente na primeira linha de pedidos:

Que a síndica do prédio vá para o inferno!

Dessa vez a caneta escreveu. Pôs o papel de lado e deitou-se. Sentia-se até mais aliviada. Abriu a Bíblia aleatoriamente e leu:

A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.

Arrependeu-se do que escrevera no papel. Pegando-o novamente, viu que sumira a linha que tinha escrito, restando três linhas para se escrever. Ai, meu Deus, o que será que aconteceu? Lembrou-se da primeira vez que tentara fazer um pedido. Pegou a caneta para escrever que queria a paz mundial. A caneta não escrevia. Será que esse papel só aceita que se escrevam pedidos malignos? Tomara que não tenha acontecido nada com a síndica. Se bem que ela merece...

No dia seguinte, Marta ficou sabendo que encontraram a síndica caída no corredor do andar onde ela morava. Um ataque cardíaco fulminante havia-lhe tomado a vida.

Marta ficou perturbada, mas não queria contar para ninguém sobre o papel e seu pedido. Não aguentando mais guardar para si essa dor, contou para o pastor da igreja. Falou do bichinho que desaparecera tão misteriosamente quanto aparecera, sobre a empregada que roubara o bichinho e depois tinha sumido, sobre o papel avermelhado, sobre ela não conseguir destrui-lo, sobre o primeiro pedido que escreveu quando estava descontrolada e o que aconteceu com a síndica.

O pastor escutou com atenção, perguntando para Marta sobre uma série de detalhes.

- E a senhora ainda está guardando esse papel em seu apartamento?

- Sim, pastor. O senhor acha que é perigoso?

- Não, irmã. Deixe-o guardado consigo. Sem dúvidas, isso é um teste divino para verificar como é o seu coração.

- Mas e o meu desejo atendido? Acho que não passei nesse teste...

- Como a senhora se arrependeu, Deus perdoa.

- Ah, que bom, pastor. Estou aliviada.

- Pois bem, Dona Marta, deixe esse papel guardado e esqueça-se dele. Está na gaveta de seu criado-mudo, certo?

Marta confirmou com um movimento de cabeça.

- Deixe-o lá e ore por sua síndica.

O pastor nem precisava ter pedido. Marta tinha incluído a síndica em todas suas orações. Tinha ido ao velório e ao enterro. Chorou muito, mas não contou a ninguém, nem ao pastor, o sentimento de satisfação que tentava a todo custo ignorar.

Já havia passado uma semana quando Marta chegou em seu apartamento e viu que a porta estava destrancada. Será que esqueci de trancar? Nunca esqueci nesses nove anos que moro aqui. Entrou com cuidado. Nenhum som que revelasse a presença de mais alguém. Tudo parecia estar no seu devido lugar.

Entrou no quarto. A gaveta do criado-mudo estava sobre a cama, com seu conteúdo despejado. Não guardo nada de valor nessa gaveta, só papéis, contas pagas, quinquilharias, minha Bíblia. Juntando os papéis na gaveta, lembrou que o papel avermelhado deveria estar ali. Será que estavam atrás dele? Então me fizeram um favor, já que eu queria me livrar desse papel maldito. Espero que não reapareça.

Marta não quis perder tempo indo à polícia. Só sumira mesmo o papel avermelhado. O chaveiro que trocou depois o segredo da fechadura da porta disse para Marta que os ladrões estavam cada vez mais aperfeiçoados, conseguindo abrir com facilidade essas fechaduras simples sem precisar arrombar.

No dia seguinte ao roubo do papel, durante o culto, Marta percebeu que o pastor estava estranho, agitado. Ele olhava com frequência para os lados. Será que foi ele? Não, não pode ser. Senhor, perdoa-me por esse pensamento pecaminoso!

No fim-de-semana outro pastor fez a pregação no culto. O anterior desaparecera, como Marta ficou sabendo depois. Ninguém descobria onde ele estava.

Foi encontrado quatro dias depois, amarrado com cordas e amordaçado num quarto de um luxuoso hotel. Estrangulado. Havia sinais de tortura. Alguns dos dedos dos pés haviam sido decepados com uma tesoura de desossar frango. Havia se registrado com um nome falso, sem acompanhante. Não constava que recebera visitas e ninguém do hotel ouvira qualquer som estranho ou gritos durante a noite anterior.

* * *

Marta acordou tarde, muito mais tarde do que o habitual. Dormira bem, como se sua cota de pecados cometidos não mais lhe pesasse na consciência. Estranhou estar despida e os cobertores no chão. Não costumava se mexer tanto durante o sono. Pegou sua calcinha branca que estava ao lado da cama e vestiu-a. Era um dia quente. Achou o sutiã entre os cobertores.

Abriu a janela. O céu estava vermelho, como tingido com sangue fresco. Havia silêncio, um quase inexplicável silêncio. Nem o bater do próprio coração Marta escutava. Sentiu algo incomum em si mesma, uma confusão na cabeça. Pôs a mão no ventre e desmaiou em seguida para, como os outros da cidade, nunca mais levantar...

Comentários do autor: como surgiu a idéia para este conto e o processo criativo; curiosidades sobre o desenvolvimento do enredo; comentários aos comentários de leitores (leia somente após ter lido o conto, pois posso estar comentando pontos-chave da história).
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